Com a entrada em vigor das novas regras da Reforma Tributária, 2026 marcará uma mudança estrutural na forma como os tributos sobre o consumo serão apurados no Brasil. A substituição de PIS, Cofins, ICMS e ISS pela CBS e pelo IBS traz um novo modelo baseado em crédito amplo, não cumulatividade efetiva e maior integração de informações.
Nesse cenário, surge um risco pouco visível, mas altamente relevante: a perda de créditos fiscais por falhas sistêmicas e operacionais.
Ao contrário do modelo atual, em que muitas inconsistências são corrigidas na apuração ou compensadas ao longo do tempo, o novo sistema exige que o crédito esteja corretamente registrado desde a origem, ou seja, na emissão do documento fiscal e na escrituração eletrônica. Sistemas desatualizados, parametrizações incorretas ou processos manuais podem impedir o reconhecimento do crédito, mesmo quando a operação é legítima.
Entre os principais riscos estão:
- classificação fiscal incorreta de produtos e serviços;
- falhas na integração entre ERP, fiscal e contabilidade;
- ausência de campos obrigatórios exigidos pelo novo leiaute nacional;
- divergência entre dados operacionais, fiscais e financeiros;
- perda definitiva de créditos por erro formal.
Além do impacto financeiro direto, essas falhas aumentam o risco de questionamentos fiscais, autuações e retrabalho, comprometendo a previsibilidade do caixa e a tomada de decisão.
A adaptação à Reforma Tributária não é apenas uma questão tributária. Trata-se de um processo de governança, que envolve tecnologia, controles internos, revisão de cadastros, contratos e rotinas operacionais. Empresas que se anteciparem, revisando seus sistemas e fluxos ainda em 2025, estarão mais preparadas para preservar créditos, reduzir riscos e manter competitividade em 2026.
Ignorar essa etapa pode significar pagar mais imposto sem perceber — e descobrir o prejuízo quando já for tarde para recuperar.